Beijing, 30 mai (Xinhua) -- As oportunidades de negócio que existem entre o Brasil e a China são inesgotáveis, disse terça-feira o conselheiro comercial da embaixada brasileira na China, André Saboya, durante o fórum intitulado "As perspectivas de Cooperações e Desenvolvimento Econômico e Comercial entre Brasil e China", que faz parte da Feira Internacional de Comércio de Serviços de Beijing (Feira de Beijing), que começou nesta segunda-feira.
"Tenho convicção de que as oportunidades de negócio atingem todos os setores, são múltiplas, e estão dispostas a serem exploradas", assinalou Saboya.
A embaixada recebeu muitas visitas de empresas chinesas interessadas no mercado brasileiro, como também muitas empresas brasileiras vêm perguntar como fazer negócio com a China, o que demonstrou que o interesse entre os brasileiros e os chineses é enorme, disse o diplomata brasileiro, prometendo que a embaixada do Brasil melhorará o serviço de tratamento de vistos e oferecerá apoios aos comerciantes chineses que queiram investir no país sul-americano.
"Além de ser um país exportador de minério de ferro, soja, polpa de madeira, carne e café, o Brasil também ganha fama em várias áreas de manufatura e de serviços", afirmou o ex-embaixador chinês no Brasil, Chen Duqing, citando os exemplos de aviões a jato da linha aérea regional fabricados pela Embraer e a técnica de fabricação do motor WEG.
O ex-embaixador chinês salientou o potencial em reforçar as cooperações sino-brasileiras no setor de serviços, dizendo que o Brasil é competitivo na indústria de serviços financeiros, de valores mobiliários, automação bancária, sistema de processamento de dados, entre outras, e em geral, o nível médio do setor de serviços do Brasil é superior ao na China. Por isso, ele encorajou as empresas chinesas a buscar novas oportunidades no Brasil.
Vários bancos chineses começaram a operar no Brasil, incluindo o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco da China, enquanto o Banco Industrial e Comercial e o Banco da Construção da China também têm planos de estabelecer sucursais no Brasil. A introdução do setor financeiro é de importância crucial para a expansão dos negócios entre os dois países, indicou Chen.
O presidente da Confederação Nacional de Serviços do Brasil, Luigi Nese, acredita que os dois países têm grande potencial de cooperação em ambos os setores de serviços de alta tecnologia e de serviços tradicionais.
"O Brasil tem uma experiência muito boa e um sistema informatizado na área bancária, que está entre os melhores do mundo. Além disso, temos um sistema de serviço comunitário para atender o público, o Poupatempo, que concentra as informações de serviços facilitando a vida do cidadão. Temos também exportações dos serviços na área de engenharia e arquitetura, assim como na área de tecnologia de informação", apresentou Luigi Nese.
Além dos serviços de alta tecnologia, Luigi Nese acredita que nos setores tradicionais, tais como saúde, habitação, transporte e turismo, os dois países também têm muito espaço para explorar, já que a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016 oferecem uma oportunidade de ouro.
Durante a Feira de Beijing que dura até sexta-feira, a Sf-express, uma companhia de correio e de entrega expressa da China, assinou um acordo de cooperação com a parte brasileira sobre o lançamento de negócios de correio entre a China e o Brasil, segundo Zhi Weizhong, presidente do Asia Business Center do Brasil, co-organizador do fórum.
Os frutos da Feira de Beijing incluem também um memorando de entendimento a ser assinado com o Grupo Gongmei de Beijing sobre a concessão da utilização e produção de mascotes da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016, de acordo com Zhi.
Os representantes de empresas chinesas que participaram do evento mostraram interesse em fazer negócio com o Brasil em áreas como indústrias tradicionais e de novas energias, mas manifestaram também preocupações com o atrito comercial entre os dois países.
"Muitas empresas têxteis da China têm desejo de participar das Expos e Feiras no Brasil para buscar oportunidades de negócios no Brasil, mas sentem-se hesitantes por causa das restrições colocadas pelo governo brasileiro", disse uma representante da Empresa Yabao Expo de Beijing. Fim






