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Discurso do Embaixador Li Jinzhang na ExpoGestão
2018/05/16
Excelentíssimo Presidente da ExpoGestão, Sr. Alonso Joseé Forres,
Amigos empresários,
Senhoras, senhores, amigos:
 
Boa tarde a todos. É com muita satisfação que participo deste famoso evento. A ExpoGestão é um importante evento do setor comercial e industrial, reunindo todas as lideranças e os talentos da área. Antes de tudo, em nome da Embaixada da China no Brasil, gostaria de dar as nossas felicitações calorosas à ExpoGestão.
 
De acordo com a sugestão do Presidente Alonso, vou falar principalmente sobre como a China vê o Brasil a partir das perspectivas econômica e comercial. Durante mais de seis anos, desde a minha chegada ao Brasil, sinto com minhas próprias experiências os altos e baixos do desenvolvimento do Brasil. Nos últimos anos, o Brasil apareceu três vezes na capa da revista The Economist: a primeira vez foi durante o período de desenvolvimento acelerado da economia do Brasil, com título de "Brasil decola". A segunda vez foi durante a recessão econômica do Brasil, há dois anos, com título "A queda do Brasil". A última vez foi no início do ano passado e na capa dessa edição o Brasil estava subindo junto com outros países em um balão de ar quente. Embora o balão de ar quente da terceira capa não se compare com a decolagem do foguete da primeira, provou-se que a economia do Brasil não caiu. Em vez de ficar na lama da recessão econômica, o Brasil já está trilhando o caminho de recuperação. Este exemplo mostra que não podemos julgar o Brasil de forma simplista ou isolada, sob pena de ser enganados facilmente com o cenário temporário e fazer julgamentos errados e parciais.
 
Como podemos avaliar o Brasil e a relação sino-brasileira de forma abrangente e objetiva? A meu ver, deve-se usar uma perspectiva global e de longo prazo. Todos os presentes aqui são líderes do setor empresarial. Na obra Registros do Historiador, escrita há dois mil anos e considerada como o primeiro texto sistemático a respeito da história chinesa, há um texto chamado "Biografias dos comerciantes", no qual há biografias dos grandes comerciantes na história da China e suas experiências de sucesso no comércio. Nesse texto, há uma frase famosa que usamos até hoje: "Se eu morar aqui por um ano; vou plantar grãos aqui; se morar dez anos aqui, vou plantar árvores; se morar cem anos aqui, vou me estabelecer aqui com moralidade". Esta frase destaca que a gestão deve adaptar-se em função do tempo e da situação. Devemos atualizar a nossa visão sobre a gestão ao longo do tempo e definir estratégias de gestão conforme o desenvolvimento da situação. A sabedoria chinesa de milhares de anos nos ajuda a observar o Brasil com uma perspectiva mais global e objetiva. Enquanto desenvolvemos a nossa relação bilateral, temos que focar nas metas de curto, médio e longo prazo, considerando o Brasil como um parceiro importante na construção de uma aliança com benefícios recíprocos, de desenvolvimento comum e de destino compartilhado.
 
De acordo com a perspectiva de curto prazo, ou seja, a visão de plantar grãos se o prazo for de um ano, China e Brasil são parceiros importantes que caminham juntos para formar uma aliança com benefícios recíprocos. Como a maior economia da América Latina, o Brasil tem um grande território, abundantes recursos, uma grande economia, um mercado amplo, um sistema legal completo, um mecanismo financeiro robusto e grande potencial de desenvolvimento. Nos últimos anos, o crescimento do Brasil tem sofrido algumas dificuldades e desafios. Em certa forma, a nossa colaboração comercial tem sido influenciada. Mas o comércio e o investimento têm mantido alto.
 
O comércio bilateral tem tendência de crescimento, apesar das oscilações. No ano passado, o valor do comércio sino-brasileiro teve um aumento de cerca de 30%, alcançando 87,5 bilhões de dólares. Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina. Durante nove anos consecutivos, a China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil. Vale a pena ressaltar que, nos últimos anos, no mercado da China há cada vez mais produtos brasileiros com suas próprias vantagens e de alto valor agregado, tais como aviões regionais, produtos agropecuários e bens de consumo sofisticados. O comércio sino-brasileiro está cada vez mais diversificado, com destaque nas vantagens comparativas e benefícios recíprocos.
 
A cooperação no investimento já se tornou um novo motor na nossa relação bilateral. O volume dos investimentos bilaterais também apresenta aumentos anuais. Mesmo durante a recessão econômica do Brasil, as empresas chinesas ficaram do lado do povo brasileiro. Algumas até aumentaram o seu investimento para ajudar na recuperação econômica do Brasil. Conforme as estatísticas do Brasil, o estoque de investimento estrangeiro da China no Brasil superou 54 bilhões de dólares, se tornando uma das maiores fontes de investimento do Brasil, com uma grande criação de empregos e receita tributária. O investimento da China no Brasil está subindo para o topo das cadeias de tecnologia e de valor, sendo feito cada vez mais em setores tais como novas fontes de energia, manufaturados avançados e tecnologias informáticas, dando um grande impulso ao processo de modernização e industrialização do Brasil. No futuro, com a promoção contínua da liberalização e facilitação do comércio e do investimento entre a China e o Brasil, vamos testemunhar o crescimento da sinergia, com cobertura de benefícios cada vez mais ampla, resultados da colaboração econômica e comercial; cada vez mais frutíferos e benefícios cada vez maiores aos povos dos dois países.
 
Conforme a perspectiva de médio e longo prazo, ou seja, a visão de "plantar árvores se o prazo for dez anos", Brasil e China são parceiros importantes na criação de uma comunidade de desenvolvimento comum. Atualmente, o volume do comércio bilateral e da cooperação de investimento entre os dois países é bem elevado. Com base nisso, para poder promover a cooperação sino-brasileira para um novo patamar e realizar o desenvolvimento sustentável, ambas as partes necessitam elaborar um bom planejamento e formar uma versão "atualizada" da cooperação.
 
A chave é explorar profundamente os potenciais na interconexão das estratégias de desenvolvimento dos dois países. Há cinco anos, China propôs a iniciativa chamada "Um cinturão e uma rota", que inclui conteúdos tais como coordenação de políticas, interligação de infraestruturas, facilitação de comércio, movimentação de finanças e aproximação entre povos. Até agora, mais de 80 países e organizações internacionais já assinaram acordos de cooperação com a China. A China espera que todas as partes possam seguir os princípios de compartilhamento, consulta e construção conjunta e implementar essa iniciativa de modo a criar a plataforma mais ampla possível de cooperação internacional, seguindo a tendência da globalização econômica.
 
Sendo a maior economia da América Latina, o Brasil é um importante ponto de apoio para a expansão da '"Rota da Seda Marítima do Século XXI" na América Latina. O Presidente da China, Xi Jinping e o Presidente do Brasil, Michel Temer, que realizou uma visita à China no ano passado, discutiram profundamente sobre a integração da iniciativa "Um Cinturão e uma Rota" com estratégias de desenvolvimento do Brasil. No ponto de vista econômico, China e Brasil podem focar na cooperação nas seguintes áreas:
Promover a cooperação da "grande interligação". O Brasil está ativamente impulsionando a sua construção de infraestrutura, área na qual as empresas chinesas têm vantagens globais. Há pouco tempo, iniciou-se a fundação do projeto do Porto de São Luís no nordeste do Brasil, com investimento de empresas chinesas. Uma empresa chinesa comprou o Terminal de contêineres de Paranaguá, que foi entregue com sucesso. A obra da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), com participação de empresas chinesas pela forma de consórcio, também está sendo promovida. Esses exemplos mostram que os dois países têm muito potencial de cooperação na área de infraestrutura.
 
Reforçar a cooperação de "grandes setores". O Brasil está se dedicando no processo de reindustrialização, de modo a elevar a capacidade de auto-desenvolvimento. Os dois países podem aproveitar o fundo sino-brasileiro de cooperação para a expansão da capacidade produtiva, com um valor de 20 bilhões de dólares, para atrair mais investimento para a cooperação nesta área, a fim de construir juntos, parques industriais e realizar a atualização e a transformação do modelo de cooperação bilateral.
 
Aproveitar a cooperação de "grande inovação", tanto a China quanto o Brasil querem aproveitar a tendência da nova rodada de revolução tecnológica mundial para concretizar o desenvolvimento de inovação. Muitas empresas chinesas de tecnologias avançadas, como Huawei, BYD e Dahua Technology, estão investindo no Brasil. Os dois países podem aproveitar a oportunidade para promover a cooperação em áreas como "Indústria 4.0" e o conceito chinês "Internet mais". Com a integração cada vez mais estreita das estratégias de desenvolvimento entre a China e o Brasil, a cooperação bilateral certamente terá um futuro promissor. 
 
Na perspectiva de longo prazo, a visão de "estabelecimento com moralidade em cem anos", China e Brasil são parceiros importantes para a criação de uma comunidade de destino compartilhado. Para haver uma base sustentável na parceria bilateral, os dois países devem olhar para um futuro mais distante e desenvolver a cooperação bilateral levando em consideração o desenvolvimento mundial e a grande evolução da conjuntura internacional, ao invés de se limitar em considerações de curto prazo e de âmbito bilateral. Atualmente, o sistema econômico internacional está enfrentando grandes transformações. Com as crescentes ameaças de uma guerra comercial e o lançamento frequente de medidas restritivas de investimento, as escolhas chaves que aparecem diante de nós são: multilateralismo ou unilateralismo? Parceria ganha-ganha ou isolamento econômico? A história de desenvolvimento da sociedade do ser humano nos conta que a abertura traz progresso e o fechamento nos deixa para trás. O mundo de hoje é uma aldeia global. As economias nacionais interagem e se tornam cada vez mais interdependentes. Abertura e integração, reforma e inovação são tendências mundiais da nossa era.
 
Vivemos agora uma onda de protecionismo comercial, o que vai atacar o sistema econômico multilateral e desacelerar o progresso que temos tido na ordem econômica mundial no sentido de caminhar para uma direção mais equitativa, aberta e inclusiva. Isso prejudicará o desenvolvimento mundial, especialmente dos países em desenvolvimento. Como as maiores economias emergentes dos hemisférios ocidental e oriental e membros importantes do BRICS, Brasil e China são beneficiários da liberalização do comércio e da facilitação do investimento. Mas também fomos países fortemente prejudicados com as medidas de defesa comercial, como investigações sob a seção 301. Junto com a sociedade internacional, somos responsáveis pela proteção do sistema econômico multilateral.
 
Frente ao ambiente externo econômico cheio de desafios, os dois países devem ter uma visão global de longo prazo e reforçar a comunicação e cooperação através dos canais bilaterais e BRICS, desempenhando um papel orientador. Podemos começar por meio da elaboração de uma lista de facilitação de comércio, que pode ter sua abrangência ampliada aos poucos, promovendo assim, com ações pragmáticas, a construção de uma estrutura da governança comercial global aberta e transparente, a consolidação do sistema de comércio multilateral. Faremos oposição ao protecionismo comercial, de modo a liberalizar o potencial da cooperação comercial mundial. Também podemos otimizar o ambiente para investimento, estabelecer e aperfeiçoar o mecanismo de garantia desses investimentos, promover juntos a construção de uma estrutura de governança mundial de finanças e de investimento justa e eficiente, de modo a manter a estabilidade econômica mundial. Com a finalidade de implementar a Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, devemos reforçar a cooperação na área de desenvolvimento global, promover conjuntamente a construção de uma estrutura interativa e inclusiva de desenvolvimento e governança mundial, além de incrementar o bem-estar do ser humano.
 
Sendo amigos que têm as mesmas ideias e trilham o mesmo caminho, China e Brasil devem seguir a tendência de uma globalização econômica aberta, inclusiva e de benefícios universais e avançar no caminho da prosperidade comum. Em direção a uma comunidade de destino compartilhado, com as mesmas ideias e missões, os dois países devem caminhar lado a lado e dar apoio um ao outro nessa tendência de cooperação aberta para impulsionar o sistema de governança econômica mundial para um rumo mais justo e equitativo. Assim, podem se tornar forças importantes para ajudar na decolagem coletiva das economias emergentes.
 
Senhoras, senhores, amigos:
 
Na construção de uma economia aberta, a China tem mantido a coerência entre discurso e ação, realizando essa tarefa com suas próprias ações. Este ano é o quadragésimo aniversário da implementação da política de reforma e abertura. Durante esses 40 anos, a economia da China sofreu transformações sem precedentes. No ano passado, o PIB da China superou 12 trilhões de dólares. No primeiro semestre do presente ano, a economia da China cresceu 6,8%. O desenvolvimento econômico da China é obtido em uma condição da abertura. Podemos dizer que a política de reforma e abertura é a chave que determina o destino da China. Para que a economia chinesa cresça com qualidade no futuro, é necessário contar com uma abertura maior da China. No Fórum Boao para a Ásia, que ocorreu há pouco tempo, o Presidente Xi Jinping anunciou quatro medidas para expandir a abertura da China.
 
Primeiro, ampliar significativamente o acesso ao mercado. A China vai relaxar mais ainda as restrições ao investimento estrangeiro em setores tais como o financeiro e o de manufatura. Segundo, criar condições mais atrativas para o investimento e implementar, em todos os sentidos, um sistema de gestão baseado no tratamento nacional pré-estabelecido e na lista negativa. Terceiro, reforçar a proteção dos direitos de propriedade intelectual. Vamos reforçar a aplicação da lei de propriedade intelectual para proteger os direitos legítimos de propriedade intelectual das empresas estrangeiras na China. Quatro, aumentar voluntariamente a importação. Vamos reduzir o imposto de importação dos veículos e de alguns outros produtos, para aumentar a importação de produtos de interesse de outros países e acelerar o processo de adesão ao "Acordo de compras governamentais" da OMC.
 
Em novembro do presente ano, será realizada em Shanghai a primeira Feira Internacional de Importação da China. Esta é a primeira feira internacional com tema de importação e uma ação pioneira através da qual a China abre voluntariamente o seu mercado ao mundo. O Brasil participará nessa feira como país convidado. Convidamos os empresários presentes a participarem nesse evento e apresentarem seus produtos de interesse para um melhor aproveitamento do mercado da China.
 
Srs. amigos:
 
O setor comercial e industrial constitui a força principal da cooperação sino-brasileira e a pedra fundamental da relação bilateral, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da parceria sino-brasileira. Tenho toda a convicção de que com os esforços comuns de todos os setores e empresários, a cooperação sino-brasileira alcançará novos progressos, novos avanços e terá um salto na formação de uma aliança com benefícios recíprocos, desenvolvimentos comuns e destinos compartilhados.
 
Obrigado a todos.
 
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