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Relações culturais Sino-brasileiras
2008/02/26

Apesar de grande distância geográfica existente entre a China e o Brasil, os contatos entre os dois povos já vêm com uma longa tradição. A partir do início do Século 19, agricultores chineses de chá já atravessaram os vastos oceanos e chegaram ao Brasil. Eles estabeleceram uma sólida amizade com o povo local marcando o início dos contatos amistosos entre os dois povos.

Sobre a influência da China para o Brasil, o Ministro da Cultural do Brasil, Gilberto Gil disse na palestra no Núcleo da Cultura Brasileira na Universidade de Pequim: Trata-se de uma presença sutil, sofisticada, que vem construindo bases profundas de sustentação para as convergências entre o Brasil e a China no presente, permitindo-nos antever o povo brasileiro e povo chinês percorrendo largos caminhos comuns no futuro. Não é só pela extensão territorial que os dois países convergem. O Brasil tem um grande poder de absorção cultural e sempre houve no Brasil algo de oriental contrastando com suas características ocidentais.

As palavras do Ministro Gil refletem bem a realidade. Não é difícil notar os elementos culturais da China em diversos aspectos da cultura brasileira e na vida dos brasileiros.

Na arquitetura brasileira, a influência chinesa se revela de várias maneiras. Segundo o estudo do professor José Roberto Teixeira Leite, a influência chinesa existe tanto no desenho ornamental como no estilo exterior de algumas construções. Algumas construções são "edificadas sobre plataformas de pedra, técnica comum na China desde tempos imemorais".

A igreja Nossa Senhora do Ó de Sabará, construída em 1717, uma das mais representativas do barroco mineiro, possui influência chinesa em sua arquiterura externa e na decoração interna

Na Catedral Nossa Senhora da Assunção da Sé de Mariana se pode ver a cadeira dos cônegos de 1762  com pinturas de influência chinesa do século XVIII em seus encostos.

Na medicina, a acupuntura, técnica praticada há mais de quatro mil anos na China, é cada vez mais aceita e utilizada no Brasil para tratar doenças diversas e vem se expandindo como prática alternativa ou medicina complementar, não só nas clínicas particulares mas também em serviços públicos de saúde. Em algumas universidades brasileiras se ministram cursos superiores de acupuntura, em nível de Pós-Graduação, para profissionais de saúde. Isso sem falar da arte maricial Tai Chi Chuan que já virou uma moda no Brasil. Hoje em dia a prática do Tai Chi Chuan é muito comum, pode ser encontrada em academias, centros de terapias chinesas, e alguns professores também costumam dar aulas ao ar livre. No início de 2007, a manifestação cultural popular de Tai Chi Chuan na Praça da Harmonia Universal na Asa Norte de Brasília, praticada há mais de 30 anos, sob a orientação do Mestre Woo foi declarada patrimônio cultural de Brasília e incluída no calendário de eventos oficiais do Distrito Federal.

Cada vez mais brasileiros começam a se apaixonar pela cultura chinesa. A celebração do Ano Novo Chinês na Praça da Liberdade em São Paulo já se tornou um evento cultural importante e entrou no calendário oficial da cidade de São Paulo. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas--entre eles muitos brasileiros-- participam do evento que inclui atrações musicais, exposições de arte, apresentações de artes marciais e dança, além de festivais gastronómicos.

Por sua vez, o Brasil era praticamente desconhecido na China até há poucas décadas.

O registro mais antigo nos livros chineses sobre o Brasil data da dinastia Qing(1964-1911), num livro medicinal. Segundo esse registro, o Brasil era um lugar maravilhoso, terra fértil, cheio de animais e aves exóticas. Era também uma terra sádia onde não havia nenhuma doença e os doentes que vinham de fora se curavam nessa terra.

Até década oitenta do Século XX, os chineses não tinham muita idéia sobre o Brasil. A novela Escrava Isaura protagonizada pela Lucélia Santos e a apresentação da dupla caipira Milionário e José Rico deram aos chineses a primeira oportunidade de conhecer um pouco o Brasil. Passados mais de vinte anos, o Brasil não é mais só sinônimo de café e fútebol para chineses.

Um grande número de obras de autores brasileiros já forma traduzidas para chinês. Entre elas, os Sertões de Euclides da Cunha, a Escrava Isaura de Bernardo Guimarães, a Trilogia de Ilusão Desvanecida e Dom Casmurro de Machado de Assis, Vida Seca de Graciliano Ramos, Incidente em Antares de Érico Veríssimo, o Silêncio da Confissão de Joseu Montello e Norte das Águas de José Sarney. Jorge Amado é o escritor brasileiro mais conhecido na China onde já foram publicadas 13 obras dele.

Todos os anos, grupos brasileiros de samba fazem apresentações em quatro cantos da China e já se pode ouvir MPB em muitos bares das grandes cidades. As churrascarias brasileiras se espalha por muitas cidades chinesas.

Sem dúvida, o fútebol continua sendo o maior meio de divulgação da imagem do Brasil na China. Pelé, Zico, Falcão, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Kaká são conhecidos por quase todos os chineses e não poucos jogadores brasileiros atuam no Campeonato Chinês de Fútebol.

Os dois governos estão desempenhando um papel muito importante na promoção de intercâmbio cultural entre os dois países.

Em 1985, foi assinado o Acordo de Cooperação Cultural e Educacional entre o Governo da República Popular da China e o Governo da República Federativa do Brasil. A partir daí, foram assinados vários programas executivas entre os dois governos, que garantiram o intercâmbio cultural regular. E a troca de visita dos dois Ministros da Cultura deu um impulso ainda maior às relações culturais entre os dois países.

Como resultado, o intercâmbio vem crescendo muito. Nos últimos anos, tiveram lugar na China o Festival de Filmes do Brasil, a Exposição de Arte Indígena e várias exposições de artistas plásticos brasileiros. Em 2007, o grupo de Samba de Roda de Recôncavo de Bahia marcou presença no Festival Internacional de Patrimônios Imateriais de Chengdu da China e caiu no gosto dos chineses. Foi realizado o evento Foco no Brasil no âmbito do Festival Internacional de Filmes de Xangai. Ao mesmo tempo, cada vez maior variedade de manifestações culturais chinesas estão sendo levadas ao conhecimento do público brasileiro. Ópera de Pequim, acrobacia, danças chinesas foram bem apreciadas por brasileiros. Os brasileiros adora a cultura e arte chinesa. Uma prova disso é a Exposição de Guerreiros de Terracota, realizada em São Paulo em 2003, que foi visitada por mais de 800 mil pessoas, tornado-se uma das exposições mais visitadas no Brasil. Em 2007, foi realizada a Mostra da Cultura Chinesa em Ouro Preto e o Foco na China no âmbito do Festival do Cinema do Rio atraiu milhares de brasileiros. A exposição Escrita Chinesa, apresentada em diversas cidades brasileiras se tornou um dos ícones da cultura chinesa no Brasil. Na área de Educação, foi assinado um convénio de cooperação entre os dois Ministérios da Educação, no qual está prevista a troca de bolsistas. Muitos estudantes brasileiros estão escolhendo a China como destino de estudo e vice-versa.

Apesar de tudo isso, devemos reconhecer que o intercâmbio cultural ainda não é compatível com a importância dos nossos países que representam no cenário mundial nem com as relações políticas e comerciais entre os nossos dois países.

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