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Empresários brasileiros viajam para aprender com chineses do setor O2O
2016/06/23

Beijing, 23 jun (Xinhua) -- Empresários brasileiros do setor O2O (Online to Offline) participaram quarta-feira em Beijing da O2O World Expo, que reúne importantes empresas asiáticas.

A delegação da Associação Brasileira de O2O (ABO2O), composta por 25 executivos e liderada pela chinesa Baidu, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, ficará por uma semana em Beijing a fim de trocar informações e aprender com os chineses.

O2O é uma nova tendência de e-commerce. Serviços como AirBnb, Uber, Easy Taxi, ifood são exemplos. Às vezes, o B2B e B2C também são classificados com parte do conceito de O2O.

"O setor de O2O na China está um pouco mais avançado que no Brasil, talvez uns dois anos na frente", declarou Felipe Zmoginski, secretário-geral da ABO2O e gerente de marketing da Baidu.

"A China está mais avançada que todos os outros países em O2O. Talvez depois venham Estados Unidos, Coreia e Índia. Os chineses são um case muito destacado e respeitado. Por isso escolhemos a China como nosso primeiro destino no exterior desde a fundação da associação", disse.

"Ambos os países (China e Brasil) têm grande potencial de crescimento (neste setor)", acrescentou.

Atualmente, 80 empresas fazem parte da ABO2O. Entre eles, a Vá de Táxi, cujo CEO, Rafael Lauand, acredita que o desenvolvimento de O2O no Brasil enfrenta vários obstáculos.

Muitos brasileiros já possuem smartphones, mas as qualidades desses aparelhos é muito baixa. Então, por limite de memória, não conseguem ter vários aplicativos e opções.

"Hoje os brasileiros não são usuários superligados à tecnologia. São muito ligados à facilidade. Eles somente vão buscar a tecnologia pela facilidade (do aplicativo)", explicou Lauand.

Entre os outros fatores, o alto custo e a má qualidade de internet móvel no Brasil também restringem o desenvolvimento da indústria de O2O. Neste momento, é quase impossível para os usuários brasileiros escanearem os I-codes pelo celular a qualquer hora nas ruas.

Para Jhonata Ramos, diretor-chefe de operação da empresa de logística Rápido, a melhora da infraestrutura no Brasil é um assunto "muito imprevisível".

Rafael concorda com isso e acrescenta que outra dificuldade para as novas empresas é levantar recursos. "Hoje o financiamento no Brasil é complicado principalmente para as start-ups. Os bancos não costumam fazer empréstimos para as empresas que ainda não têm um fluxo de caixa positivo."

Outra grande diferença entre os dois países está nos hábitos culturais de consumidores. De acordo com Jhonata, a China é muito mais "mobile" que o Brasil, onde somente 7% dos pedidos de entrega de refeição em casa são feitos online. Todo o restante é pelo telefone. "O país ainda precisa de tempo para alcançar essa tendêndia de desenvolvimento."

Durante os sete dias de visita à China, a delegação brasileira visitará a sede da Baidu e outras empresas chinesas de O2O. "Vamos aprender com as experiências da China e ver o que podemos aproveitar para implementar no Brasil", afirmou Zmoginski.

"A experiência de aprender com o que os chineses fizeram é fantástica, pois poupa tempo, dinheiro, pessoas e o caminho fica mais curto", afirmou Jhonata à Xinhua. Fim

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