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Artigo Especial: Investimento chinês continua buscando seu caminho no Brasil
2011/12/27

Beijing, 27 dez (Xinhua) -- A China e o Brasil são dois importantes países em desenvolvimento e grandes parceiros comerciais. Em 2011, a China continuou ampliando seus investimentos no Brasil.

No final de novembro, um grupo de representantes da China Development Bank Corporation e da China National Machinery Import and Export Corporation (CMC) foi recebida pelo governador de Mato Grosso, Silval Barbosa. Na reunião, a comitiva chinesa entregou a minuta de um termo de cooperação para ser analisada pelo governador.

Segundo o secretário-extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes de Mato Grosso, Francisco Vuolo, a prioridade de investimento é a área de logística e infra-estrutura, para aumentar a competitividade do estado. "Foi dado mais um passo importante para a efetiva construção da ferrovia Cuiabá-Santarém", disse Vuolo.

Esta é uma das várias tentativas chinesas de investir no Brasil, país que, segundo a ONU, foi o 5º mais atrativo para investimentos estrangeiros em 2010. Ao longo de todo o ano, dezenas de delegações chinesas visitaram o Brasil para avaliar possibilidades de investimento. A movimentação não aparece muito na imprensa, pois os investidores chineses só costumam fazer a divulgação depois de fechar negócio.

Ainda em novembro, a China Petrochemical Corp. (também conhecida como Sinopec) anunciou um acordo para comprar 30% das ações da filial brasileira da empresa portuguesa Galp Energia SA por US$ 3,54 bilhões. Segundo a estatal Sinopec, o acordo necessita da aprovação do governo chinês. Levando em conta o investimento e a despesa de capital prevista, o valor total pago em dinheiro será de aproximadamente US$ 5,18 bilhões no fechamento do negócio.

Com a estratégia de internacionalização, empresas privadas chinesas também estão tentando expandir seus negócios no Brasil. De olho nas obras da Copa do Mundo de 2014, da Olimpíada de 2016 e do PAC, a produtora chinesa de maquinaria Sany anunciou no primeiro semestre deste ano um investimento total de US$ 200 milhões para a construção de uma nova fábrica de máquinas para construção civil, pavimentação e abertura de estradas. A Sany possui atualmente uma fábrica no Vale do Paraíba. Segundo a imprensa brasileira, a nova fábrica ficará em Jacareí, onde também está sendo construída a fábrica da montadora chinesa Chery, que já investiu US$ 400 milhões e pretende criar 3 mil empregos.

Além da Sinopec, da Sany e da Chery, outras empresas chinesas como JAC, XCMG e Wisco também estão trabalhando para promover seus projetos de investimento no Brasil. Segundo os últimos dados do Conselho Empresarial Brasil-China, nos primeiros dez meses deste ano, empresários chineses divulgaram 16 projetos de investimento no Brasil, com o valor total acordado de US$ 7,14 bilhões. Os setores de investimento abrangem indústria automotiva, maquinaria, mineração e petróleo, entre outros.

Marco Polo Moreira Leite, vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, comentou à Xinhua que o investimento chinês no Brasil, que enfrenta problemas de escassez de financiamentos e atraso da infra-estrutura, vai melhorar a economia e os empregos locais e fortalecer o intercâmbio de tecnologia e informação. "O investimento chinês é bem-vindo no Brasil, pois as economias dos dois países são complementares e estes investimentos podem promover o crescimento conjunto", assinalou.

Mas os investimentos chineses estão encontrando maior dificuldade para entrar no Brasil este ano, depois de um grande aumento em 2010, quando o país asiático investiu US$ 17 bilhões e tornou-se a maior origem de investimento estrangeiro direto do Brasil.

De acordo com dados do Banco Central do Brasil, de janeiro a setembro de 2011, o investimento chinês totalizou US$ 333 milhões, 25% abaixo do registrado no mesmo período de 2010, quando entraram no Brasil US$ 444 milhões.

Segundo especialistas citados por uma reportagem do portal G1, entre os fatores que contribuíram para a redução do investimento chinês estão as medidas protecionistas adotadas pelo governo brasileiro, como impostos e burocracia.

"O Brasil tem a sensação de que alguns setores estão sendo invadidos pelos chineses e impõe barreiras. Diante disso, nenhum investidor se sente seguro e confiante em trazer tanto dinheiro para um terreno hostil", disse Tang Wei, diretor-geral da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), citado pelo G1.

Uma pesquisa do Banco Mundial divulgada em julho de 2010 mostra que, entre 87 países e regiões, o Brasil é o 4º mais difícil para estrangeiros abrirem uma empresa. O processo leva 166 dias e só é mais demorado em Angola, Haiti e Venezuela.

"Para as empresas chinesas, o mercado brasileiro parece um bolo gostoso que, no entanto, não é fácil de saborear", comparou o professor Sun Yanfeng, do Centro de Estudos Latino-americanos do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas, em entrevista à Xinhua. Ele acrescentou que as empresas chinesas têm que realizar estudos detalhados antes de entrar no mercado brasileiro.

Em agosto, a CMC enviou uma comitiva para analisar o projeto de investimento na construção da ferrovia Cuiabá-Santarém, que segundo a imprensa brasileira, terá um valor de R$ 10 bilhões.

Além de estudos preparatórios, algumas empresas chinesas preferem procurar parceiros brasileiros para facilitar seus negócios no Brasil.

Em 16 de novembro, a montadora chinesa JAC anunciou que investirá com seu parceiro brasileiro SNS um total de R$ 900 milhões na construção de uma fábrica na Bahia. A JAC e a SNS investem 20% e 80% no projeto, respectivamente. Segundo o presidente da JAC Motors do Brasil Sérgio Habib, a nova fábrica começará a produção em março de 2014 com uma produtividade anual de 100 mil unidades.

Chen Duqing, diretor do Centro de Estudos Brasileiros do Instituto de Estudos Latino-americanos, subordinado à Academia Chinesa de Ciências Sociais, sugere que empresas chinesas devem abrir fábricas no Brasil para gerar empregos e aumentar o valor agregado de seus produtos.

Chen, que foi embaixador no Brasil, considera que esses esforços também podem ajudar as empresas chinesas a criar uma boa imagem.

Em 2011, os investimentos sustentáveis, ou investimentos Greenfield, constituíram uma parte significativa do investimento chinês no Brasil. Na análise por setores, a indústria automobilística representa 44% do total nos primeiros dez meses, enquanto os setores de aparelhos eletrônicos e de telecomunicação contam com a mesma cota de 12,5%, respectivamente.

Tang Younian, da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, disse à Xinhua que o desempenho do capital chinês no Brasil não pode ser julgado a curto prazo porque envolve projetos de longo prazo.

"O Brasil está em um momento de expansão e excelentes oportunidades de investimento", afirmou a presidente brasileira Dilma Rousseff no Fórum Boao realizado em abril deste ano na China. Percebendo isso, empresas chinesas continuam procurar investir neste país geograficamente distante apesar das dificuldades e frustrações, seguindo uma forma cada vez mais sustentável. "Posso dizer que a China continua apostando e enxergando o Brasil como uma grande oportunidade", assinalou Tang Wei, diretor-geral da CBCDE. Fim

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